O que o livro “O Código da Obesidade” de Jason Fung ensina sobre queima de gordura.
Introdução
O jejum não é um evento único, mas um processo metabólico que acontece em etapas bem definidas. No best-seller O Código da Obesidade, o nefrologista Jason Fung explica como o organismo humano evoluiu para lidar naturalmente com períodos sem comida, alternando entre o uso de glicose e gordura como combustível — sem qualquer prejuízo à saúde. Neste resumo, trazemos os principais pontos do capítulo “Quando Comer” sobre as fases do jejum e suas implicações práticas para quem busca emagrecer.
As cinco fases da resposta do corpo ao jejum
1. Alimentação
Durante as refeições, a insulina sobe e permite que músculos e cérebro absorvam glicose para uso imediato. O excesso é armazenado como glicogênio no fígado.
2. Fase pós-absorção (6 a 24 horas)
Com a queda gradual da insulina, o corpo começa a quebrar o glicogênio hepático para liberar glicose. Essas reservas duram cerca de 24 horas.
3. Gliconeogênese (24 horas a 2 dias)
Esgotado o glicogênio, o fígado passa a produzir glicose a partir de aminoácidos e glicerol, mantendo a glicemia dentro da faixa normal mesmo sem ingestão de alimentos.
4. Cetose (1 a 3 dias)
O corpo começa a quebrar triglicerídeos armazenados em ácidos graxos e glicerol. Os ácidos graxos são convertidos em corpos cetônicos — como o beta-hidroxibutirato e o acetoacetato — capazes de atravessar a barreira hematoencefálica e abastecer o cérebro, chegando a suprir até 75% de sua energia nessa fase.
5. Fase de conservação de proteínas (após 5 dias)
Aqui o corpo entra em modo de preservação: níveis elevados de hormônio do crescimento ajudam a manter massa muscular, enquanto a energia vem quase totalmente de ácidos graxos livres e cetonas. A noradrenalina entra em ação para evitar a queda da taxa metabólica basal — contrariando a ideia popular de que jejuar “destrói o metabolismo”.
Por que isso muda a forma de pensar sobre dieta
Um dos pontos centrais defendidos por Fung é que essas adaptações metabólicas benéficas não ocorrem em estratégias de dieta baseadas apenas em restrição calórica contínua. O corpo evoluiu para alternar entre os estados alimentado e de jejum — não para operar permanentemente em déficit. Isso ajuda a explicar por que dietas hipocalóricas tradicionais frequentemente falham a longo prazo: elas ignoram os mecanismos hormonais que regulam fome, gasto energético e preservação muscular.
O mito de que jejuar “queima músculo”
Segundo o livro, o corpo é projetado para usar gordura armazenada como fonte primária de energia em períodos de escassez, preservando o tecido magro o quanto for possível. A queima de massa muscular só se torna significativa em estágios bem mais avançados de inanição, não durante períodos moderados de jejum intermitente.
Conclusão
A resposta fisiológica ao jejum mostra que o corpo humano possui mecanismos sofisticados — e evolutivamente testados — para lidar com a ausência temporária de alimento. Compreender essas fases ajuda a explicar por que estratégias como o jejum intermitente vêm ganhando espaço como alternativa às dietas tradicionais de restrição calórica constante, sempre respeitando as particularidades de saúde de cada pessoa.
Resumo baseado no capítulo “Quando Comer” do livro O Código da Obesidade, de Jason Fung. Consulte sempre um profissional de saúde antes de iniciar qualquer protocolo de jejum.
Palavras-chave: jejum intermitente, Código da Obesidade, Jason Fung, cetose, gliconeogênese, queima de gordura, metabolismo do jejum










